Conheça as nossas propostas

ACESSO A CUIDADOS DE SAÚDE

Verifica-se uma significativa escassez de Enfermeiros em Portugal, com uma falta de cerca de 14.000 no Serviço Nacional de Saúde. Essa carência compromete não apenas o acesso aos cuidados de saúde, mas também a qualidade dos serviços prestados, afetando diretamente a capacidade do sistema de saúde em atender às necessidades da população.

Propõe-se a implementação do Enfermeiro de Família como um profissional de referência nos cuidados de saúde primários, visando uma abordagem abrangente ao longo da vida das pessoas e das famílias. Esta medida visa reforçar os cuidados de proximidade e melhorar a resposta às necessidades de saúde identificadas, especialmente em populações vulneráveis.

A Ordem dos Enfermeiros propõe a criação de Centros de Parto Normal, com uma abordagem centrada nas grávidas de baixo risco, conseguindo assim otimizar recursos e proporcionar uma experiência positiva de parto. A integração desses centros nos serviços de obstetrícia melhora a qualidade dos cuidados e envolve mais as mulheres e suas famílias. 

A implementação da prescrição por Enfermeiros acelera o acesso e aumenta a proximidade aos cuidados de saúde. Para além de ser prática consolidada em vários países, está prevista na legislação portuguesa. A prescrição por Enfermeiros especialistas em diversas áreas, como saúde materna e obstétrica, contribui para diagnósticos mais precoces e cuidados mais adequados.

É importante reforçar as Unidades de Cuidados na Comunidade, especialmente as Equipas de Cuidados Continuados Integrados, para garantir cuidados em permanência e uma abordagem mais eficiente e integrada. Sugere-se a integração de Enfermeiros Especialistas em Saúde Mental e Psiquiátrica nas estruturas de cuidados na comunidade, bem como o investimento na formação dos profissionais que atuam nessas unidades.

Defende-se a implementação de um sistema de registo de informação clínica comum a todas as unidades de saúde (Ontologia de Enfermagem) para garantir uma partilha de informação eficaz, melhorando a eficiência e qualidade dos serviços de saúde.

Os lares também prestam cuidados de saúde. Neste momento, estas estruturas são apenas tuteladas pelo Ministério da Segurança Social. Para uma garantia de qualidade e segurança nos cuidados prestados nos lares, a Ordem dos Enfermeiros propõe uma partilha de tutela com o Ministério da Saúde e a presença obrigatória de Enfermeiros gestores e equipas de Enfermagem a tempo integral.

Os Enfermeiros devem desempenhar um papel mais ativo na gestão da doença crónica, contribuindo para uma utilização mais eficiente dos recursos e uma relação mais próxima e colaborativa com as pessoas. Esta abordagem centrada na Enfermagem resulta em ganhos significativos em qualidade de vida e eficácia dos serviços de saúde, promovendo uma abordagem mais holística e integrada no tratamento das condições crónicas.

VALORIZAÇÃO DOS ENFERMEIROS

É importante o reconhecimento e a valorização das competências diferenciadas dos Enfermeiros, especialmente em áreas como gestão, liderança e cuidados especializados. Essa valorização não apenas incentiva o desenvolvimento profissional dos Enfermeiros, mas também contribui para uma força de trabalho mais motivada e comprometida com a excelência na prestação de cuidados de saúde.

A revisão das carreiras de Enfermagem deve ser feita nos diferentes contextos e áreas de atuação dos Enfermeiros, adequando os respetivos vencimentos à sua formação técnica e científica e às intervenções altamente diferenciadas que executam.

Além disso, é fundamental reconhecer a profissão de Enfermeiro como desgastante e exigente, com as respetivas consequências legais e remuneratórias. É também fundamental uma reforma antecipada para garantir a saúde e o bem-estar dos Enfermeiros, refletindo diretamente na qualidade dos cuidados prestados.

Defende-se a regularização dos vínculos precários dos Enfermeiros, visando manter a estabilidade e a continuidade nos serviços de saúde.
De forma a tornar mais eficaz a prestação de cuidados de saúde, é também necessário equiparar o modelo de recrutamento dos Enfermeiros com o de outras profissões de saúde, permitindo uma gestão mais autónoma das necessidades de recursos humanos nas Unidades Locais de Saúde. Assim conseguimos otimizar a distribuição e alocação de profissionais, garantindo uma melhor resposta às solicitações do sistema de saúde

O Internato da Especialidade em Enfermagem permite uma aprendizagem no desempenho das funções profissionais, com o objetivo de obter o título de Enfermeiro Especialista. Este programa inclui uma combinação de formação teórica, prática e clínica que prepara os Enfermeiros para lidar com diversas situações clínicas e desafios. Embora estejamos a percorrer este caminho, esta ainda não é uma realidade. O Internato da Especialidade é fundamental para assegurar cuidados de Enfermagem especializados aos doentes e responder às exigências de uma cada vez maior diferenciação, complexificação e alargamento dos campos de intervenção que, um pouco por todo o mundo, caracterizam este tipo de cuidados.

É importante um investimento na formação contínua dos Enfermeiros para garantir um sistema de saúde sustentável e capaz de atender às crescentes necessidades de cuidados especializados. Essa valorização da formação não apenas beneficia os profissionais individualmente, mas também contribui para elevar o padrão de qualidade dos serviços de saúde prestados.

Os Centros de Responsabilidade Integrados (CRI) são estruturas que pretendem reorganizar a prestação de cuidados no SNS. A sua constituição pressupõe a
apresentação de um projeto assistencial e a negociação dos seus termos com os Conselhos de Administração dos Hospitais em que se encontram.

Os profissionais que integram estes Centros de Responsabilidade poderão aceder a incentivos institucionais e financeiros, diretamente relacionados com o desempenho alcançado.

A Ordem dos Enfermeiros propõe que o regime de incentivos remuneratórios destes CRI seja revisto, de forma a tratar equitativamente todos os profissionais de saúde que os integram.

Destaca-se a importância de publicar a portaria que regulamenta a atuação do Enfermeiro do Trabalho, visando promover ambientes de trabalho seguros e saudáveis e garantir cuidados de saúde adequados aos trabalhadores.

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39 Comentários
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Heberth Antônio da Silva e Silva
Heberth Antônio da Silva e Silva

Enfermeiro precisa ser ouvido , em todas as áreas da saúde ,pois é ele quem está na ponta da assistência , é ele quem cuida , é ele quem é chamado na hora da urgência ,O enfermeiro conhece o paciente e o hospital

Hilda Siqueira Maia
Hilda Siqueira Maia

Gostaria muito de atuar , tenho formação aqui no Brasil como enfermeira e tenho experiência de 3 anos na área hospitalar. Gostaria de me candidatar a este cargo aí em Portugal, uma vez que já estive a morar no país e contribuir com fisco durante o período de 4 anos. Hoje estou atualmente no Brasil atuando com enfermeiro. Porém vejo muita burocracia para trabalhar em si com meu atual cargo. No vosso pais.

Maria de Lourdes Rodrigues Costa Caldas Carneiro
Maria de Lourdes Rodrigues Costa Caldas Carneiro

Penso que está na hora de valorizar a profissão de Enfermagem. Tem formação de excelência, mas há uma falta de motivação muito grande!!
O SNS não funciona sem Enfs, mas a escassez é muita, o que leva os profissionais a um desgaste fisico, psicológico e emocional!!!

Ana Barros
Ana Barros

Um internato de especialidade e mestrado onde haja tempo de qualidade de estudo e onde não haja subtração do horário de tempo laboral e pessoal em prol de formação que posteriormente não é reconhecido pelas entidades pertinentes. Stop a formação, paga pelo profissional com tempos de estágio e formação pertinentes mas não adequados ao tempo de trabalho do profissional. Não posso tirar do tempo do meu trabalho para o estágio. Não tem lógica, penso eu.

Telma Gonçalves
Telma Gonçalves

Obrigada! Por favor, Lutem pelos enfermeiros antes de está seja uma profissão em extinção. Os enfermeiros portugueses estão completamente desmotivados sentem-se desrespeitados e desvalorizados pelo governos pelas instituições hospitales e pela população em geral. Assistimos hoje a uma grade número de enfermeiros a abandonar por completo a profissão e muitos mais ainda a planear fazê-lo num futuro próximo. Se não são tomadas medidas agora este é o fim do SNS e por consequência o declínio da saúde dos português. É urgente valorizar os enfermeiros! É urgente ouvir, valorizar e motivar estes profissionais e é urgente fazê-lo para ontem, ou todos nós vamos sofrer na pela as consequências.

Brayone Gonçalves
Brayone Gonçalves

Espero sinceramente que estas propostas (bem pensadas e fundamentadas) sejam levadas a cabo e ouvidas pelas estruturas de decisão. Tantas destas medidas são realidades há já muitos anos noutros países da Europa. Considerar estas medidas podem travar a emigração de enfermeiros, e melhorar o estado degradante em que se encontra o SNS.

Mónica Alexandra Neves da costa
Mónica Alexandra Neves da costa

Ótima reflexão sem dúvida alguma

Anonimo
Anonimo

Ver regularizada a situação dos contratos precarios é fundamental e contratar enfermeiros com.competencias acrescidas e varios anos de experiência em setores privados, em vez de os deixar de fora dos concursos em favor das cunhas e amizades, ou seja, de enfermeiros que não tem nem fazem questão de ter mais formação,também seria uma boa medida. Quem vive esta situação sente-se mentalmente exausto.

Maria de Lourdes Rodrigues Costa Caldas Carneiro
Maria de Lourdes Rodrigues Costa Caldas Carneiro

Acho muito bem que se faça sentir que tudo isto que está a ser proposto é crucial para o bom funcionamento do SNS!!!!

Maribel Ramirez Rodriguez
Maribel Ramirez Rodriguez

Apoio tudos os programas de gestão e especial atenção para os processos preventivos nos centros de saúde

Maria Adelaide Gonçalves Fernandes
Maria Adelaide Gonçalves Fernandes

Ótimo reflexão

Tiago Santos
Tiago Santos

Medidas muito importantes. Mas é também muito importante incluir que enfermeiros que decidem fazer mestrado e doutorados em outros países da Europa, chegam a Portugal e encaram uma realidade que é a falta de equivalências desses mesmo cursos em Portugal, quando muitas vezes o plano curricular é exatamente igual. Infelizmente é muito que isto aconteça com enfermagem em Portugal, pois este mesmo esforço devia ser valorizado automaticamente da mesma forma.
De resto, excelente plano, força

Andreia oliveira
Andreia oliveira

Acho muito bem que lutem pelos seus direitos e valorização,são dos que mais fazem o muitas vezes desvalorizados..são cuidadores de várias maneiras,na saúde física e psicológica,são quem está diariamente ao lado do doente..um bem haja a todos os enfermeiros.

Ana Rita Rego
Ana Rita Rego

Obrigada por todo o Vosso trabalho em defesa da profissão. Gostaria de acrescentar algo mais que poderia também estar mais em destaque na mesa de trabalho, é a nossa aposentação, devia ser mais precoce atendendo ao risco e penosidade da profissão. Já lá vai o tempo em que íamos para a reforma por volta dos 55 ou 57.

Maria Madalena Oliveira Filgueiras
Maria Madalena Oliveira Filgueiras

Desejo que situações criticas da profissão se resolvam com o devido reconhecimento dos ENFERMEIROS

M.Fátima Domingues Silva.
M.Fátima Domingues Silva.

Os enfermeiros são a garantia de bons cuidados de saúde da população sem eles não há cuidado eficaz na população
Força enfermeiros de Portugal

Anabela Macedo
Anabela Macedo

A enfermagem para além de uma profissão desgastante e exigente, também é uma profissão de risco.

Helena Correia
Helena Correia

Seria muito bom que todas as Direções das unidades de saúde seguissem tudo isto que se propõe. Atualmente não é o que se verifica tanto na acessibilidade como na valorização. O objetivo dessas unidades é reduzir ao máximo os custos, com os poucos recursos existentes. Não aproveitam as competências obtidas pelos profissionais, que apesar de terem pago do bolso deles, não se importam de as usar a baixo custo; para além disso continuam rácios baixíssimos tornando os enfermeiros cansados, desmotivados e com a sensação que podiam ter feito melhor.

Anónimo
Anónimo

Para mim e outras centenas de colegas na mesma situação, o término de vínculos precários é fundamental. Vou no 6° contrato precário… exausta mentalmente, pela incerteza, pela falta de estabilidade a todos os níveis… e ainda ver irregularidades na contratação destroça qualquer um.